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  • Foto do escritorGeovanne Solamini

Primeiro capítulo de ‘Belíssima’ além de um show de audiovisual, é uma boa aula de marketing

Belíssima’ estreou com um grande desfile que parou São Paulo em 2005, que além de muito bonito foi muito bem arquitetado por uma grande publicidade


Fernanda Montenegro em "Belíssima' (2005) | Imagem: Globoplay

“A cidade virou um verdadeiro pandemônio menegatti. Trânsito parado, Marginais congestionadas, uma verdadeira compulsão dos diabos. Esse pessoal aí da marca Belíssima exagerou!” Esse era o texto que abria as primeiras cenas da novela que começava em grande estilo, um tanto quanto fora do comum.


Assim como em suas outras obras, Silvio de Abreu propôs um grande evento para estrear a novela que discutia a obsessão pelo poder e pela beleza em uma sociedade regida pelas aparências. O desfile comemorativo de 50 anos da marca de lingeries que leva o mesmo nome da novela literalmente parou São Paulo. Um show!


Modelos famosas desfilavam apenas de calcinha e sutiã espalhadas por diversos pontos da capital paulista em uma ação para divulgar a nova coleção da marca. Locais como Avenida Paulista, Vale do Anhangabaú, Viaduto Santa Ifigênia, Estádio do Pacaembu e no Parque do Ibirapuera foram escolhidos para ser palco das atrações proporcionadas pela empresa. Isso tudo ao som de um remix exclusivo da Sinfonia n.40, que fez parte da trilha sonora instrumental da novela.


Vamos combinar que não é comum começar uma novela com algum evento que não seja clichê, como festas, casamento e afins, então foi uma novidade. Outros pontos que se destacam é a direção de Denise Saraceni com tomadas de câmera e planos de filmagem característicos, principalmente a câmera inclinada. Além disso, a ideia de inserir os principais personagens como espectadores desse desfile é bem interessante. Um show de audiovisual para quem admira essa parte mais técnica.


Estratégia arriscada que deu certo


O evento acabou tomando proporções desordenadas resultando em protestos e até polícia. Esse é o primeiro plano da vilã Bia Falcão (Fernanda Montenegro), que arquitetou milimetricamente um plano de uma publicidade que não tem preço, como define a personagem.


A estratégia de divulgar os novos produtos da marca em meio ao povão é bem interessante se pensarmos que o intuito de tudo isso era gerar polêmica envolta do nome da empresa, onde entre defesas e acusações, o assunto estaria na boca do povo como também nas mídias tradicionais da época.


Bia pensou em cada detalhe dessa ação, chegando a pagar alguns manifestantes para se posicionarem contra a marca, isso sabendo que é apenas um gatilho para incitar as massas, como o texto diz. É interessante analisar também que essa é uma posição da emissora, tendo em vista que em meio a polêmicas o seu nome sempre estará em alta.


Uma estratégia que já foi até visível em grandes marcas brasileiras e que vira e mexe no Twitter alguém relembra a cena em questão onde Bia (Fernanda Montenegro) confessa ser a responsável por esse escândalo, explica todo seu planejamento além de humilhar sua neta Júlia (Gloria Pires), presidente da empresa e que age sempre de maneira muito correta e eficiente.


Ambas atrizes estão ótimas em cena, cada uma com o seu perfil mandando muito bem. Já imaginou um evento desse acontecendo hoje em dia? A empresa com certeza seria cancelada, receberia um boicote ou até mesmo aumentaria em números expressivos o seu faturamento. Interessante!


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