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  • Foto do escritorGeovanne Solamini

Livraria ícone de São Paulo só poderá ser vista através de novelas

Livraria Cultura, ícone de São Paulo está com os dias contados, se tudo caminhar assim, só poderá ser lembrada em novelas


Foto: Reprodução/Globoplay/Globo

No início de fevereiro, surgiu a notícia de que a icônica Livraria Cultura, uma das poucas que ainda resistiram à era digital, decretou sua falência. Embora não seja nenhuma surpresa, seguindo os passados do mercado editorial, a notícia foi chocante.


Para contextualizar, a livraria já vem enfrentando uma crise econômica desde meados de 2015, e nesses anos todos tentou regular a sua situação, mas sem nenhum sucesso. Até mesmo uma recuperação judicial foi pedida e acabou sendo negada pela Justiça.

Mas, o que a Livraria Cultura tem a ver com novelas? Ela serviu de cenário para algumas novelas que foram ambientadas em São Paulo, como o remake de Ti-Ti-Ti (2010), na qual explorou diversas locações pela capital paulista.


Além disso, a figura da livraria entra também na abordagem da novela, que justamente abordou a transição do mercado editorial e jornalístico do analógico para o digital, sendo palco para um dos principais eventos que marcaram a primeira semana da novela de Maria Adelaide Amaral.


Foto: Reprodução/Globoplay/Globo

O evento em questão, é o lançamento do livro de Stela (Mila Moreira), uma conceituada jornalista e consultora de moda, o principal tema que norteia a trama. Naquele 6º capítulo exibido em 24 de julho de 2010, a instituição recebeu as estrelas do elenco para as gravações do grande lançamento.


É através de Mabi (Clara Tiezzi) e Lipe (David Lucas) que o público acompanha em um plano sequência ao adentrarem a famosa rampa do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista. Durante a caminhada, os dois irmãos conversam sobre literatura e cultura, dois temas que sempre demonstraram ser muito interessados e maduros, mesmo ainda tão jovens.


Foto: Reprodução/Globoplay/Globo

Durante a coletiva de imprensa, Stela é ovacionada pela mídia e confessa que a publicação é Costanza Pascolato, a quem se refere como uma referência. Ainda em sua fala, a consultora de moda cita outros nomes que a inspiraram como Glória Kalil e Lilian Pacce, jornalistas referências em moda.


Foto: Reprodução/Globoplay/Globo

Em outro momento, Jorgito (Rafael Cardoso) tenta flertar com Walkiria (Juliana Alves), com um comentário sobre o livro ‘Revolução dos Bichos’, um clássico de George Orwell. Na cena, o personagem demonstra tamanho desconhecimento sobre a obra, e por isso acaba levando um fora da filha de Jacques Leclair (Alexandre Borges).


Foto: Reprodução/Globoplay/Globo

Stella ainda conta com a presença do autor Silvio de Abreu, que é amigo de Maria Adelaide Amaral, e com quem Mila Moreira trabalhou em A Próxima Vítima (1995). Outra referência metalinguística em misturar a amizade dos profissionais dentro do folhetim – esse é um dos elementos mais interessantes que a autora apresentou em sua obra.


Foto: Reprodução/Globoplay/Globo

Ao lado da sessão de autógrafos, o brega e o chique se encontram. Jacques Leclair (Alexandre Borges), o famoso estilista de madrinhas de noivas de casamento, é apresentado à equipe da revista Moda Brasil, comandada pela lenda Suzana Martins (Malu Mader).

O costureiro do Jardim Anália Franco, ainda aproveita o momento para flertar com a editora-chefe da publicação fictícia da novela, mesmo que a equipe não tenha interesse em dar qualquer nota sobre ele – salvo Adriano (Rafael Zulu), que sempre foi seu amigo e tenta convencê-los a notar o profissional considerado brega.


Foto: Reprodução/Globoplay/Globo

Outro paralelo interessante é a retratação das “patricinhas” que se interessam por moda, mas estão realmente deslocadas em meio a um montante de livros. Taísa (Fernanda Souza) e Camila (Maria Helena Chira) são um grande exemplo disso, e conversam sobre outras amigas que também levam o mesmo estilo de vida que elas.


Ao que se sabe até então, é que a Livraria Cultura pediu uma recuperação judicial e conseguiu uma liminar para suspender temporariamente a falência. Agora, resta torcer para que a unidade da Avenida Paulista não seja vista daqui alguns anos apenas pela novela.



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