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  • Foto do escritorGeovanne Solamini

Entrevista com Alexandre Borges

Em entrevista via live no Instagram, conversamos sobre sua carreira na TV e as relações com Jorge Fernando, Cláudia Raia e Silvio de Abreu



Alexandre Borges Corrêa estreou na TV em 1993, na novela “Guerra Sem Fim”, exibida pela extinta TV Manchete. E deste então, foi só sucesso. Nos seus 28 anos de carreira, é uma figura constante nas novelas, colecionando personagens marcantes na memória do público, como Bruno em “A Próxima Vítima” (1995), Danilo em “Laços de Família” (2000), Alberto em “Belíssima” (2005), Raul em “Caminho das Índias” (2009), Jacques Leclair no remake de “Ti-Ti-Ti” (2010) e o polígamo Cadinho em “Avenida Brasil” (2012). Em conversa com o ator através de uma live no Instagram em 23/05, conversamos sobre sua carreira na TV e suas parcerias com grandes nomes da nossa TV, como Cláudia Raia, Sílvio de Abreu, Jorge Fernando (1955-2019) e Nicette Bruno (1933-2020). Ainda falamos um pouco sobre sua vida pessoal e o trabalho social que o ator vem fazendo durante os meses de pandemia. Confira os melhores momentos dessa entrevista!


GS: Primeiramente, eu gostaria de citar o trabalho social que você vem fazendo nas ruas de São Paulo, ajudando moradores de rua e pessoas em situação de vulnerabilidade. De onde surgiu essa ideia? O que mais você tem feito pra atravessar essa pandemia?


AB: Eu sempre fui uma pessoa que admira e pratica muito a caridade. Acho que é uma coisa cristã, um dogma que eu sigo muito, de ajudar, amar o próximo, ter empatia. Podia ser você ali, você não sabe o que pode acontecer na sua vida daqui a alguns anos. Você pode de repente levar um tombo e estar lá, pedindo um dinheiro pra comer. Desde garoto eu sempre convivi com pessoas de rua, vulneráveis, acamadas. Nunca tive medo. Eu sei que o desemprego é muito grande no Brasil, mas quando a gente é jovem e tem saúde, pode se virar. Eu empilhava caixa de sapataria, fui ambulante, vendi salada de frutas, sanduíche natural, fui corretor de imóveis, fiz um monte de coisa. Mas quando vejo crianças, ou mulheres idosas em situação de vulnerabilidade, não dá para ignorar, não dá pra virar o rosto. Eu sempre ando com dez, vinte, cinquenta reais no bolso, algumas coisinhas já separadas se alguém de repente estiver precisando. O ator, principalmente quando está fazer novela, tem essa coisa muito popular, de atingir muita gente. Às vezes você vai visitar alguém num hospital do câncer de crianças ou em um asilo de idosos, as pessoas te olham e falam “caraca, o Jacques Leclair!”. Eu acho que o artista não pode se isolar. A matéria prima do ator é essa vivência, o que ele vive diariamente, a cada minuto, a cada encontro, a cada troca de histórias. Às vezes eu quero saber como o cara chegou ali debaixo do viaduto, o que aconteceu… Por 18 anos, eu fiz o Ação Global [mutirão organizado pela Rede Globo, em parceria com o SESI, para prestação de serviços básicos de diversas áreas para a população menos favorecida]. Fui pra Fortaleza, Belo Horizonte, inúmeras comunidades em São Paulo e no Rio de Janeiro. Pra você ter uma ideia do que é o Brasil, o que eles mais iam lá procurar eram as fotos 3X4, que eram gratuitas. Eles ficavam lá desde as 5 horas da manhã, e era a primeira coisa que acabava. Tem gente que não tem dinheiro nem pra isso. Às vezes não tinham nem certidão de nascimento. Sem isso, a pessoa não pode entrar num programa social, não tem auxílio emergencial. Cê acha que é todo mundo que está passando fome, pobre, que tá ganhando esse auxílio emergencial? Não é, cara! São pessoas que, para a máquina burocrática, não existem. A realidade do Brasil não é para amador, não.

Murilo Benício, Jorge Fernando e Alexandre Borges em TiTiTi | Foto: (TV Globo/Renato Rocha Miranda)

GS: Sua primeira novela na Globo foi “A Próxima Vítima”, um grande sucesso onde você trabalhou com grandes nomes da nossa TV, incluindo o autor Silvio de Abreu e o diretor Jorge Fernando, com quem você trabalhou muitas vezes – inclusive, com Jorginho, em “TiTiTi”, que tá sendo reprisada agora. Quais são suas melhores lembranças com eles?


AB: Ele [Jorge Fernando] foi um amigo, daqueles que a gente ficava um tempão sem se ver quando acabava uma novela, mas era de uma confiança e um carinho sensacionais. Ele era uma pessoa de um alto astral, de estar sempre perto do povo, das pessoas, de não se isolar. Ele sempre fazia peças de teatro como o “Boom”, o “Salve Jorge”, e a mãe dele, a Dona Hilda [Rebello, falecida dois meses após a morte do filho], que acompanhava ele para tudo quanto é lugar. Sobre o Silvio: eu tinha feito uma novela na TV Manchete e depois eu fiz duas minisséries na Globo: “Incidente em Antares” (1994) e “Engraçadinha” (1995), com a Cláudia Raia, que talvez feche aí o trio [de pessoa com quem Alexandre mais trabalhou, com Sílvio e Jorginho]. Sílvio me ligou e falou: “Alexandre, eu te vi aqui em “Engraçadinha”, gostei de você, estou entrando agora com dois personagens novos na novela, Rosamaria Murtinho vai fazer uma irmã Ferreto e eu preciso de um ator que vai ser o filho adotivo dela, que na verdade ele é o amante dela, aí eu quero você.” Aceitei e fui para o Rio de Janeiro. A primeira pessoa que eu encontro na Globo Tijuca pra me receber era o Jorge Fernando, com um sorriso daqui à aqui, com aquele olhão azul dele, e disse “você vai ser um sucesso, confia em mim”. Eu me lembro do Jorge Fernando fazendo “Ciranda, Cirandinha” (1978), ele sempre foi lindo. E depois, todas essas coisas que ele fez com o Sílvio, né? “Guerra dos Sexos” (1983), “Vereda Tropical” (1984) [novela de Carlos Lombardi, supervisionada por Sílvio]. Era um mundo do qual até então eu era telespectador. Eram duas pessoas maravilhosas, dois seres humanos incríveis, simples, querendo fazer que a coisa aconteça, querendo fazer o melhor para o público, de fazer a coisa bem feita, de não ter medo de mudar caso a coisa não funcione, porque é o público que faz a novela, e às vezes a coisa estoura de uma maneira que… é muito louco. O imponderável da nossa profissão.

Cláudia Raia (Jaqueline) e Alexandre Borges (Jacques) em ‘TiTiTi’ (2010) | Foto: TV Globo/Reprodução

GS: Antes de “A Próxima Vítima”, você fez a minissérie “Engraçadinha”, seu primeiro trabalho com a Cláudia Raia, que também se tornou sua parceria constante na TV. Vocês fizeram cinco novelas juntos, além de minisséries e especiais. Eu, particularmente, amo a dupla que vocês formam em “TiTiTi”. Como é a sua amizade com ela? De onde vem essa química entre vocês?


AB: A primeira vez que eu vi a Cláudia Raia, eu estava no Rio de Janeiro fazendo uma peça de teatro em 1986. Ela estava no auge, acho que tinha acabado de fazer “Roque Santeiro” (1986). Eu tava lá na Cinelândia, no Rio de Janeiro, fui para fora do teatro, tomar um ar. Garoto, tinha vinte anos. Do outro lado da rua vem vindo uma mulher alta e um monte de gente correndo atrás dela; ela meio que correndo e pessoal atrás dela: era a Cláudia Raia. Eu contei isso pra ela depois que a gente se conheceu, e falei assim: “Cláudia, a primeira vez que eu te vi, tinha um bando de inseto atrás de você”. Então, ela era alta, ela é alta, ela se destaca no meio da multidão. Quando a gente fez “Engraçadinha”, com a Denise Saraceni, que é uma querida diretora, talentosíssima, a gente fez esse primeiro personagem e que a gente costuma dizer: “olha, depois daquela cena de lama, na chuva, pelado, a gente faz qualquer coisa”. A gente é muito parceiro. Na época do nosso casamento, ela com o Edson [Celulari, marido de Cláudia até 2010] e eu com a Júlia [Lemmertz, com quem Alexandre foi casado até 2015], a gente sempre foi casais que já eram amigos e se falavam, o Edson também sempre amigo da Júlia, e a gente criou uma amizade aí nesses 25 anos.


GS: Também em “TiTiTi”, você contracena com a saudosa Nicette Bruno, que viveu sua mãe, dona Júlia. Quais são as suas melhores lembranças com ela?


AB: Meu pai Tanah Correa, diretor de teatro, trabalhou com o Paulo [Goulart, falecido em 2014] e a Nicette Bruno no teatro Paiol em São Paulo, do qual eles eram proprietários. Conheci a Nicette garoto, com 12 anos de idade. A Beth Goulart, a Bárbara Bruno, que graças à Deus se recuperou da COVID, tá em casa… A gente é tudo da mesma geração, então eu cresci muito com a figura do Paulo e da Nicette: um casal maravilhoso, um casal de artistas, muito espiritualizado, cara. Eles tinham uma coisa da espiritualidade, então eu tenho certeza que na partida da Nicette, eu acho que ela foi muito amparada pelo Paulo, sabe? Era um casal que não se desgrudavam, entendeu? Claro que foi uma coisa, assim, trágica; uma coisa que a gente nunca quer que aconteça, mas a gente tem que pensar positivo nesses momentos. Então, no dia da morte dela e quando aconteceu tudo, mesmo a Vivinha [Eva Wilma, falecida uma semana antes desta entrevista], eu até postei uma foto dela com o Carlos Zara [marido de Eva, falecido em 2002], são pessoas que viveram a vida inteira juntas, entendeu? Se você acredita em alguma coisa realmente além, tem uma coisa da espiritualidade, de vidas e de energia, eu tenho certeza que o Paulo está com ela; eles estão juntos, assim como a Eva e o Zara.


GS: Eles deixaram um legado na televisão, eles fizeram parte da nossa família. Eu acho legal que, em “TiTiTi”, mais na reta final, ela tem mais destaque, quando começam a descobrir a Cecília (Regina Braga), aí tem uma cena que eu acho uma das mais emocionantes da novela: Júlia reencontrando a Cecília. Aí tem a questão de o Jacques acabar não aceitando a mãe, porque ela o abandonou… Eu acho que ali ela puxa mais para o lado emocional da gente. Só tenho elogios tanto para a Maria Adelaide Amaral (autora da novela, que adaptou o original de Cassiano Gabus Mendes), pro Jorge e, inclusive, para ela, assim que o personagem – mais um dos personagens que ela fez como mãe – tem parte da gente. Ali é uma mãezona, e uma tia, mas ela cuidava também da família toda Jacques, era uma relação muito bonita. Quando chegou para o final da novela, ficou uma relação muito mais bonita, onde ele descobre a mãe e tem todo esse drama… Puxa mais a parte dramática.


AB: Regina Braga, maravilhosa! Adoro também. Mas é almas juntas mesmo, é, desse encontro, mesmo, de energia da alma, tenho muita fé nisso e, então, com certeza, a Nicette fez personagens incríveis, memoráveis no teatro, na televisão. Uma mulher que teve companhias de teatro… A mãe da Nicete lançou muita gente na companhia dela de teatro. Então, a Nicette era uma atriz, uma baita atriz dramática, mais também uma comediante, italiana, bem mãezona, bem carinhosa. A gente tá falando da Nicette, mas a Eva Wilma… Eu me lembro quando eu era garoto, passando aquela “Mulheres de Areia” (1973) com a Eva, e eles gravaram, eu não me lembro se era Peruíbe ou Itanhaém, eu só sei que a casa do Tonho da Lua, na época, que era o Gianfrancesco Guarnieri, era aqui na Baixada Santista, que eles faziam a externa. Cara, era excursão… Tinha excursão para ver a casa do Tonho da Lua. E ela fazendo as gêmeas, imagina, naquela época não tinha tecnologia nenhuma, era na edição, no corte, que pegava as duas juntas, e era perfeito, né. Falando de outra atriz que me veio à cabeça: Regina Duarte, [que fez] um trabalho memorável em “Selva de Pedra” (1972) com Francisco Cuoco. Também tinha essa coisa das duplas românticas, né? Francisco Cuoco e Regina Duarte; Tarcísio Meira e Gloria Menezes, Tarcísio e Dina Sfat…


GS: Você acabou eternizando, nos anos 2000, a sua dupla com a Cláudia Raia. Foi uma das mais marcantes assim…


AB: É, sim, sim! Eu trabalhei com atrizes maravilhosas. Trabalhei muito com a Letícia Sabatella… A gente é um celeiro de talentos, cara. Se a gente for falar das mulheres, né: Dina Sfat, Regina Duarte, Glória Menezes, Fernanda Montenegro… A minha geração já pegou todo o conforto disso tudo, então a gente precisa caprichar muito, mas caprichar muito mesmo, porque já veio tudo prontinho pra minha geração e essa geração que está aqui agora, também chegando, também tá pegando essa coisa da internet…

Alma (Marieta Severo) e Danilo (Alexandre Borges) em “Laços de Família” (2000) | Foto: TV Globo/Reprodução

GS: Nos últimos seis anos você tem sido na figura constante nas reprises, desde a reprise de “Caminho das Índias” (2009), em 2015/2016, até “Laços de Família” (2000), reprisada entre 2020 e 2021, onde você viveu o Danilo, um personagem machista, e você também é conhecido por personagens que são considerados mulherengos, né? O Cadinho, o Aparício Varela (“Haja Coração”, 2016), o Alberto de “Belíssima”, e até mesmo o Jacques. Mas o Danilo, em especial, levantou esse debate do público, nas redes sociais. Eu queria saber como você avalia esses personagens, esses comportamentos depois de 20 anos, e se você gosta de rever esses trabalhos antigos.


AB: Adoro rever, lógico, em especial “Laços de Família”. Eu tinha acabado de ser pai, e tava no melhor momento da minha vida. Acho que a personagem vem toda da cabeça do autor, né? Você decora o texto e coloca a interpretação; você coloca a sensibilidade e vai ali pegar aquelas palavras no papel e transformá-las em uma coisa viva. Em “Laços de Família”, especificamente, mesmo na época, eu tentei fazer de um jeito que esse machismo dele, até essa coisa do assédio, não ficasse tão pesada, que ele não se transformasse numa pessoa que usasse o poder dele de uma forma muito negativa, muito escrota. Têm várias maneiras de fazer uma coisa, têm várias maneiras de você dizer um “bom dia”, e às vezes você não tem uma indicação [da direção ou do texto] de como é que você vai fazer. O quê que o Manoel Carlos [autor da novela] tá mostrando ali: primeiro tá mostrando a libido carnal incontrolável do homem, diante de olhar uma mulher, e falar “Nossa, que mulher é essa?”, mesmo sendo casado. Mostrava um pouco essa coisa de [conflito] de gerações: a Alma (Marieta Severo) era uma mulher mais velha, a Ritinha (Juliana Paes, em seu primeiro papel na TV) uma mulher mais nova. Mas também mostrava que o Danilo era um cara apaixonado pela Alma, ele se importava, gostava da mulher, mas tinha uma libido que era uma coisa incontrolável, essa coisa um do homem latino, e da mulher brasileira, também, que tem muita libido. O que passa pela sua cabeça é uma coisa, mas você vai fazer tudo que passa pela sua cabeça? Em “Avenida Brasil”, o cara era casado com três mulheres. Na verdade, eles eram dominados pelas mulheres: o Danilo era dominado pela Alma e pela Ritinha; o Cadinho também, dominado pelas três (Débora Bloch, Carolina Ferraz e Camila Morgado), que faziam o que queriam com o cara. O Jacques Leclair, pelas personagens da Cláudia Raia e da Juliana Alves, que mandam ele… Na verdade, a gente é dominado por elas, você não sabia, não?

Alexandre Borges e Malu Mader como o casal Aparício Varela e Rebeca Rocha em Haja Coração (2016) | Foto: TV Globo/Reprodução

GS: Em seu último trabalho reprisado, “Haja Coração”, você fez o Aparício – e eu acompanhei o Aparício original na reprise de “Sassaricando” (1987) – e uma coisa foi alterada: no remake ele não ficou com as três [o trio de amigas da novela que buscavam um marido rico], ele ficou só com a Rebeca (Malu Mader). Você acha que talvez foi pra não repetir o Cadinho?


AB: Não sei, não tive essa informação… Mas eu vou te falar uma coisa: uma das mais gloriosas e maravilhosas da minha vida foi ter sido par romântico da Malu Mader em “Haja Coração”. Aquilo lá foi o sonho realizado, porque eu tinha uma paixão – eu, não, o Brasil inteiro sempre teve uma paixão muito forte pela Malu Mader. Eu vi “Fera Radical” (1988) e disse “meu, que mina é essa, pelo amor de Deus”… Então, quando eu fiz “Haja Coração” e eu ia ser par romântico da Malu Mader, eu falei: “Meu pai amado, obrigado!” Adoro a Malu, acho ela uma grande atriz, um ícone da televisão brasileira da minha geração. “Celebridade” (2003) nós fizemos juntos, que eu fazia o Cristiano, o alcoólatra. Então, ainda bem que eu só acabei com a Malu (risos)…


GS: Você já tem algum próximo trabalho na TV?

AB: Não. Eu tenho que dar um tempo da televisão, porque eu já estou no ar há a quatro reprises, ninguém aguenta mais me ver… Agora vou ficar um bom tempo sem fazer televisão.


GS: Eu vi que que você estava fazendo testes para teatro… Pra uma peça…


AB: Isso, eu vou fazer agora em São Paulo… Primeiro com a Denise Assunção, irmã do Itamar [Assumpção, cantor e compositor, falecido em 2003], uma grande amiga, uma grande atriz, uma grande cantora. Tô dirigindo um show dela. Tem também uma coisa com a Banda Musical da Polícia Militar do Estado de São Paulo, o Coral, o Coro… A gente vai fazer uma coisa com poesias, e também com músicos de rua. Eu estou fazendo um projeto de pegar várias pessoas que tocam na rua para fazer uma apresentação, que são operários. A gente vai voltar também com a peça do Dedé Santana, que eu dirigi, “Palhaços”. A gente tá fechando o Teatro Sérgio Cardoso, se tudo der certo… É um teatro que amo fazer… E também tenho o meu projeto lá no Teatro das Artes, no Shopping Eldorado, tá tudo ainda em negociação, mas eu espero que dê certo.


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