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  • Foto do escritorGeovanne Solamini

O que aconteceu com o padrão de qualidade das aberturas de novelas reprisadas pela Globo?

Para atender aos novos padrões da atualidade, emissora vem adequando os seus conteúdos, mas, raramente acertando em suas principais reformulações de aberturas que não passam despercebidas pelo público

Imagem: Divulgação/TV Globo

Há pelo menos sete anos, quando o sinal analógico de televisão no Brasil passou a ser descontinuado e gradativamente desligado, as emissoras foram obrigadas a correr para se adequar à nova tecnologia que veio para ficar e também, claro, adaptar os seus conteúdos mais antigos, como as novelas, principalmente.

As mudanças foram surgindo aos poucos. Primeiro, as adequações técnicas e, em seguida, a mudança das marcas d’água – o símbolo de cada emissora que aparece na tela – do meio para o canto inferior da tela, em sua maioria das vezes. A Globo foi uma das que logo tratou de apresentar tais mudanças e isso até hoje vem dando o que falar.


Quando olhamos para a reprise de novelas da emissora, entendemos que foram os produtos que mais sofreram alterações em suas exibições. Isso porque com a nova forma de ver TV, as barras pretas nas laterais dos conteúdos em SD – que possuem uma imagem quadrada – foram abolidas e assim suas respectivas imagens passaram a preencher a tela através dos efeitos de zoom ou esticamento – que a tornaram retangulares.


Ainda que as obras produzidas pelo canal só passassem a ser produzidas e exibidas em HD entre o final da década de 2000 e início da década de 2010, a Globo sempre apostou mais em reprises clássicas que possuem essa tecnologia antiga – as últimas tramas reapresentadas com sua imagem original no Vale a Pena Ver de Novo foram ‘O Rei do Gado’ (1996), em 2015 e ‘Anjo Mau’ (1997), em 2016. Depois disso, foi ladeira abaixo.


Os primeiros erros

Imagem: Divulgação/TV Globo

No ano seguinte, o público foi surpreendido com o anúncio de uma segunda reapresentação de ‘Senhora do Destino’ (2004), sendo essa a primeira novela a ser exibida em zoom para preencher a tela e fingir uma falsa imagem em 16:9. A decisão causou, a princípio, um certo estranhamento ao ver a imagem cortada e até mesmo prejudicando algumas sequências com rostos e detalhes cortados, mas seguiu assim em seus 195 mal editados capítulos – com ótima audiência, inclusive.


Sem dúvidas, o que mais marcou a reprise foi a abertura da novela que ganhou uma nova versão horrenda. Na ocasião, foram retiradas as barras pretas em suas partes superior e inferior, onde se localizavam os créditos, chamadas de 'letterbox', deixando-os completamente jogados, desalinhados e até mesmo cortados nessa nova edição. Um verdadeiro horror que você pode conferir abaixo:

Se não bastasse esse descuido do departamento de criação da Globo, outro erro grave também era exibido: o logo conceitual foi, do início ao fim de sua passagem pelas tardes da Globo, exibido descentralizado nos encerramentos.


Entende-se que tais erros poderiam ser justificados por ser a primeira vez que o canal exibiu uma novela antiga desta forma, mas mesmo assim, não considerando o padrão Globo de qualidade que sempre foi referência para as outras emissoras e demais departamentos no universo audiovisual.


O erro foi corrigido na reprise que veio na sequência, ‘Celebridade’ (2003), que seguiu sendo exibida com o famoso zoom, mas teve uma digna adaptação de sua inesquecível abertura. Na sequência, a Globo exibiu ‘Belíssima’ (2005), que inovou ainda mais e alterou a fonte original usada em seus créditos para uma mais moderna, dando outra roupagem à abertura.


Pequenas modificações

Imagem: Divulgação/TV Globo

Os anos foram passando e com isso parecia que a Globo havia acertado a mão nas alterações em suas aberturas. ‘Cordel Encantado’ (2011), ‘Avenida Brasil’ (2012), ‘Eta Mundo Bom’ (2016) – novela já em HD – sofreram pouquíssimas adequações nas aberturas, apenas alinhando os créditos às novas proporções usadas na atualidade.

Isso já tinha acontecido na reprise de ‘Cheias de Charme’ (2012) e posteriormente em tramas como ‘Ti-Ti-Ti’ (2010) e ‘A Favorita’ (2008), por exemplo. Já as mais antigas, ‘Por Amor’ (1997), ‘Laços de Família’ (2000) e ‘O Clone’ (2001), também tiveram suas imagens e aberturas adaptadas nas mesmas condições.

Recentemente, a que mais chamou atenção foi a adaptação da abertura da terceira reapresentação de ‘O Rei do Gado’, que contou com uma nova fonte, além de uma atualização nos nomes apresentados nos créditos e um erro grotesco no logo que representava um ferro de marcar o gado. Pois bem, o público reclamou e em pouco tempo a Globo refez a animação e o logo, o tornando ainda mais realista.

Isso foi, de fato, um grande acerto da emissora ao se preocupar não só com a estética dos seus produtos clássicos como também com a opinião do público para que eles sejam respeitados.


Amadorismo nas telinhas

Imagem: Reprodução/TV Globo

Nos últimos anos, as novas versões de aberturas exibidas pelas reprises da Globo no Vale a Pena Ver de Novo e nas Edições Especiais se tornaram um dos principais assuntos relacionados às telenovelas nas redes sociais – e com razão.


Agora falando sobre a segunda faixa de reprises inaugurada por ‘O Cravo e a Rosa’ (2000), em 2021, mas quem sofreu com essa nova versão foi sua sucessora e irmã mais nova, ‘Chocolate com Pimenta’ (2003), que, além da alteração da fonte original característica à época que a novela é ambientada, a redução do tempo de arte e os créditos desalinhados na tela, foi possível perceber erros primários nos nomes dos atores.


A abertura clássica da novela de Walcyr Carrasco que envolve muito chocolate exibiu em suas primeiras semanas nome de atrizes e atores renomados, como Rosane Gofman que teve seu sobrenome trocado para “Cofman” – erro esse que já veio assim desde 2003 e não foi corrigido. Além deste caso, outros artistas também foram creditados com erros em seus nomes: Guilherme Piva virou Paiva; Nívea Stelmann foi creditada com o sobrenome faltando uma letra (Stelman) e Samara Felippo também com Felipo, sem uma segunda letra “P” em seu sobrenome.


No decorrer das semanas e com tantas reclamações do público, a Globo corrigiu os erros, mas seguiu exibindo tanto a vinheta de abertura quanto as de intervalo bem diferentes e mal editadas do que nas suas reprises anteriores e exibição original.


Agora, o caso acontece com ‘Mulheres de Areia’ (1993), atual ocupante da faixa Edição Especial que, por ser uma novela de 30 anos, precisou de mais modificações ainda por uma série de questões como a qualidade da imagem e a nudez de Mônica Carvalho – atriz que estrela a abertura do clássico de Ivani Ribeiro –, e que precisou ser “censurada”.


Vamos aos principais pontos negativos desta abertura: a imagem mais borrada para esconder os seios da atriz, mas que em muitos momentos não dá para ver nada; a redução do tempo de arte de 1:08 para 49 segundos; a redução da música ‘Sexy Yemanjá’ e sua edição porca no final da abertura e o erro na creditação da colaboradora Solange Castro Neves que agora aparece apenas como Solange Neves.


E tem mais do que isso. As vinhetas de intervalo também foram alteradas e muito mal feitas, por assim dizer. Nas redes sociais, o público não só reclamou, mas também fizeram as suas próprias versões que ficaram muito mais fiéis às originais e profissionais também... A que ponto chegamos.


O problema com as vinhetas de intervalo também acontece com ‘Mulheres Apaixonadas’ (2003), no Vale a Pena Ver de Novo, que exibe vinhetas curtíssimas e com o GC de “voltamos a apresentar” fixo na tela, algo que nunca havia sido exibido seja em conteúdos inéditos e reprises. Está ruim e não irá mudar.


Fim do padrão Globo de qualidade

Imagem: Reprodução/TV Globo

Com isso, conclui-se que a Globo parece ter perdido o seu padrão de qualidade que sempre foi exemplar e invejável. Em tempos que as aberturas já não são mais consideradas um show à parte e raramente são mais criativas, digamos assim, a emissora insiste em mexer no que já foi consagrado como um clássico.


Há quem considere um crime, por assim dizer, fazer essas alterações, mas o fato é que é possível realizá-las com qualidade e respeito ao arquivo original, bem diferente do que vem acontecendo recentemente e a emissora parece pouco se importar.


No entanto, vale ressaltar que, aos saudosistas e quem prefere assistir às novelas como elas eram exibidas antigamente, essa é uma tendência que veio para ficar e não só a Globo, como as principais emissoras, não pretendem retroceder na decisão de as exibir sem zoom ou esticamento de tela.


Em tempos que os telespectadores conseguem desempenhar um trabalho melhor do que o do departamento de criação da emissora e entregarem um resultado amador muito mais profissional do que o que é exibido nas telinhas, é algo grave.


Assim, questionamos: como pode a maior emissora do país desrespeitar sua história, seus conteúdos e a audiência com essas aberturas e vinhetas de intervalos clássicas tão mal alteradas e deixar por isso mesmo. O fator do acabamento pesa muito mais hoje com as mais novas tecnologias dos televisores e, claro, com a internet, que não deixa passar nada em branco.


Infelizmente, mesmo com tantos avanços tecnológicos, nada será como foi no passado, em tempos áureos, onde a Globo ainda tinha Hans Donner como profissional responsável por todas as suas aberturas –, que faz muita falta. O jeito é nos conformarmos com esses novos padrões, ainda que ruins, e com a crise estética e de criatividade no departamento de arte e criação da líder de audiência.











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