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  • Foto do escritorGeovanne Solamini

No aniversário de Tony Ramos, relembre três personagens estrangeiros que o ator viveu em novelas


Foto: Reprodução/Globo

Hoje, 25 de agosto, comemoramos o aniversário de um de nossos maiores e melhores atores: Antônio de Carvalho Barbosa, popularmente conhecido como Tony Ramos. Nascido em 1948 em Arapongas – PR, o ator iniciou sua carreira aos 15 anos de idade na extinta TV Tupi, atuando em programas de esquetes – em 1965 ele faria sua primeira novela, “A Outra”. Também no canal, fez parte de novelas históricas, incluindo a primeira versão de “Éramos Seis” (1967), como Julinho, e a primeira versão de “A Viagem” (1975), como Téo.

Sua chegada na Globo, de onde nunca mais saiu, aconteceu em 1977, quando viveu o ator Paulo Morel na inovadora e incompreendida novela “Espelho Mágico”, de Lauro César Muniz. Desde então, coleciona inúmeros personagens que marcaram a história da TV brasileira: Márcio Hayala em “O Astro” (1977), André Cajarana em “Pai Herói” (1979), os gêmeos João Victor e Quinzinho em “Baila Comigo” (1981), jagunço Riobaldo em “Grande Sertão: Veredas” (1985) e Juca em “A Próxima Vítima” (1995) são alguns exemplos. Em 1998, Tony surpreendeu ao interpretar José Clementino na polêmica “Torre de Babel” – um homem agressivo que assassinava sua esposa no primeiro capítulo, destoando totalmente dos personagens virtuosos pelo qual o público o reconhecia. O papel (bem como a novela, escrita por Silvio de Abreu) não foi bem aceito pelo público, mas sua competência e versatilidade são inquestionáveis.


Nas últimas duas décadas, integrou o elenco de grandes novelas como “Laços de Família” (2000), “Mulheres Apaixonadas” (2003) e “Cabocla” (2004), sem falar numa participação importantíssima no fenômeno “Avenida Brasil” (2012) – a morte de seu personagem, Genésio, desencadeava todos os acontecimentos da novela.


Durante a segunda metade da década de 2000, Tony emplacou três personagens com uma característica em comum muito curiosa: eram personagens estrangeiros, que necessitavam de uma grande preparação. É óbvio que o ator encarou esses desafios brilhantemente. Num intervalo de apenas seis anos, Tony foi grego, indiano e italiano! Neste texto, relembramos estes papéis!


Nikos Petrakis em “Belíssima” (2005)

Tony Ramos como o grego Nikos em “Belíssima” (2005) | Imagem: Reprodução/TV Globo

Penúltima novela de Silvio de Abreu no horário nobre, “Belíssima” teve seus primeiros capítulos ambientados na Grécia, berço dos mitos da beleza, do poder e das aparências, temas discutidos pelo autor nesta novela. Foi lá que o grego Nikos conheceu o casal brasileiro Pedro (Henri Castelli) e Vitória (Cláudia Abreu), de quem se torna funcionário, compadre e fiel escudeiro, inclusive aprendendo a falar português com eles. Após a morte de Pedro, Nikos acompanha Vitória em seu conturbado retorno ao Brasil, com um objetivo muito claro: encontrar Cemil (Leopoldo Pacheco), o filho que teve com a também grega Katina (Irene Ravache), que nem desconfia de sua verdadeira origem. Aqui, Nikos se apaixona pela irmã de Pedro, a empresária Júlia Assumpção (Glória Pires), que a princípio o enxerga apenas como um amigo. No final da história eles acabam se casando, retornando para a Grécia.


Opash Ananda em “Caminho das Índias” (2009)

Tony Ramos como o indiano Opash em “Caminho das Índias” (2009) | Imagem: CEDOC/TV Globo/Reprodução

Uma das marcas registradas de Gloria Perez é mostrar culturas de outros países em suas novelas, traçando um paralelo com a sociedade brasileira. Em 2009, ela nos conduziu à uma viagem através das telinhas para a Índia, um país colorido, de cultura riquíssima, mas também de profundas desigualdades sociais – assim como o Brasil. Tony interpretou o indiano Opash, um comerciante tradicional que era o patriarca da família do protagonista Raj (Rodrigo Lombardi). Defendia ferrenhamente o sistema de castas, tema central dos conflitos da novela. Problematizações à parte – hoje seria inaceitável a escalação de atores latino-americanos brancos vivendo personagens que deveriam ser asiáticos de pele escura – Tony se deu muito bem ao trabalhar pela primeira vez com o texto de Glória, que misturava português com termos em hindi, sem falar nos bordões – é impossível desvencilhar Opash de seu “are baba!”


Antonio Mattoli, o Totó em “Passione” (2010)

Tony Ramos como Antonio Mattoli, o Totó de “Passione” (2010) | Imagem: TV Globo/Reprodução

Logo no ano seguinte, Tony viveu o camponês italiano Totó na última novela de Silvio de Abreu no horário nobre, a penúltima de sete parcerias entre o ator e o autor. Nascido no Brasil, Totó foi levado para a Toscana ainda bebê, sendo criado por Gemma (Aracy Balabanian), que ele acreditava ser sua irmã mais velha. Na verdade, ela era uma empregada da família de Eugênio Gouveia (Mauro Mendonça), que mandou Gemma levá-lo embora pois não queria criar o filho que sua mulher, Bete (Fernanda Montenegro), teve com outro homem. Ao morrer, Eugênio revela à Bete que seu filho está vivo, e, portanto, é herdeiro de uma grande fortuna. Totó se torna o centro de muitos conflitos, trazendo muitos segredos familiares à tona. Ele se torna vítima da golpista Clara (Mariana Ximenes), que se aproveita de sua viuvez, solidão e bondade para seduzi-lo.


Ainda destacamos que Tony Ramos interpretou um português em “Guerra dos Sexos” (2012) e em “Tempo de Amar” (2017), porém sem o destaque dos personagens citados no texto.


Há quem considere esses personagens chatos e/ou insuportáveis, devido à suas personalidades expansivas, mas não se pode negar que Tony foi excepcional em suas construções. É nítido que o ator se entrega sem medo para tudo o que é proposto e se diverte fazendo, tamanha sua paixão pelo ofício. Fica aqui o nosso agradecimento e os parabéns para esse grande ator! Esperamos ansiosos por “Olho por Olho”, seu próximo trabalho na TV, que estreará no segundo semestre de 2022.


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