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  • Foto do escritorGeovanne Solamini

Mesmo com narrativa lenta, ‘Escrito nas Estrelas’ é uma novela encantadora e fez bonito no VIVA

O primeiro grande sucesso de Elizabeth Jhin que nunca havia sido reprisado, surpreendeu ao mostrar suas inúmeras qualidades até mesmo para quem torcia o nariz para a reprise no canal 


Na última sexta-feira (29), nos despedimos de uma das novelas mais encantadoras da teledramaturgia brasileira chamada ‘Escrito nas Estrelas’ (2010). Uma joia de folhetim guardado pela Globo há 13 anos e que merecidamente ganhou reprise através do Canal VIVA – sendo a primeira novela da década de 2010 a pintar por lá. 


A verdade é que, ao longo dos seus 143 capítulos, a trama se tornou irresistível. Aquela trama para apreciar no meio da tarde ou até mesmo no início da madrugada e sempre gostosa de assistir por inúmeros bons motivos. 


Sua narrativa não é uma das mais ágeis se considerarmos a sua quantidade de capítulos. No entanto, é uma novela de se contemplar, daquelas que o público vai comprando e construindo o roteiro juntamente dos ricos personagens carismáticos em suas diferentes nuances. 


Escrita por Elizabeth Jhin e com direção de núcleo de Rogério Gomes, ‘Escrito nas Estrelas’ merece todos os méritos devidamente reconhecidos pelo público e por quem vos escreve nesta análise. Dito isso, vamos a ela! 


Sinopse tradicional, mas criativa 

Foi interessante perceber que a autora arquitetou um clássico folhetim de uma forma totalmente criativa, onde em mais uma trama espírita, mostrou todo o seu talento em surpreender com as expectativas do público tanto há 13 anos quanto agora. 

A trama espírita que gira em torno de Ricardo Aguillar (Humberto Martins) pelo filho Daniel (Jayme Matarazzo), morto em um acidente automobilístico, e por isso decide “revivê-lo” por meio de um neto via produção assistida, iniciando uma verdadeira busca por uma genitora do bebê que acaba sendo Viviane (Nathalia Dill). 

O reencontro de Ricardo, Daniel e Viviane acontece de forma bastante diferente do habitual, onde, sem saber que tiveram ligações de vidas passadas, descobrem um amor que vai crescendo e aflorando ao longo da novela. É uma estratégia típica da autora, conduzida com maestria e que deu super certo nessa novela, assim como em suas posteriores no horário das 18h. 

A novela que, a princípio, poderia parecer apenas uma trama romântica ou bastante folhetinesca ao abordar uma história de amor impossível, digamos assim, ousou ao brincar com um tradicional criativo. Afinal, quem imaginaria que Daniel e Viviane, os mocinhos, foram grandes inimigos em outra encarnação, e ela seria a responsável por sua morte. Genial! 


Falta de química não foi um problema 

Humberto Martins e Nthalia Dill em Escrito nas Estrelas
Foto: Reprodução/Globo

‘Escrito nas Estrelas’ nada mais foi do que uma novela cujo núcleo central contava a história de um triângulo amoroso um tanto quanto diferente. A mocinha dividida entre o amor do pai e do filho, mesmo que esse já não fosse mais vivo e o seu espírito relutava para superá-la, bem como a sua nova fase. 


Mas, na realidade, o casal formado por Ricardo e Viviane foi um grande destaque da narrativa. Duas pessoas completamente diferentes, de realidades distintas, ligadas por um amor de vidas passadas descoberto aos poucos, conforme ambos se desenvolviam e evoluíam em seus sentimentos. 


A construção desse amor foi uma coisa muito bonita, isso é verdade. Até porque ele foi construído aos poucos, sem correria ou qualquer pressa como já aconteceu em diversas novelas. Assim, não foi difícil para que o público comprasse a história e amor do casal, mesmo que ela tenha demorado a engrenar. 


Durante a reprise, não foi difícil encontrar comentários na hashtag da novela que apontavam uma certa falta de química entre Humberto Martins e Nathalia Dill, com razão. Mas, pelo que já foi citado acima, o carisma da história, o ponto acabou se tornado irrelevante e não atrapalhou em nada. Nem no final feliz dos dois. 


Reflexões além da religião

Tradicionalmente conhecida por escrever novelas espíritas, Elizabeth Jhin proporcionou em seu texto diversas reflexões que não se prendem à religião e atravessam as diferentes crenças. Muitas delas, ligadas à vida na Terra e no plano espiritual.


Além de contar com personagens anjos e espíritos em um núcleo que remetia ao nosso lar, a trama contou com personagens sensitivos como Madame Gilda (Jandira Martini) e Antônia (Suzana Faini), e Vicente (Antônio Calloni), que era entusiasta no assunto de vidas passadas. 


Todos eles foram muito bem amarrados à trama central – justamente por serem personagens importantes para o desenvolvimento do enredo – e assim contribuíram para essa abordagem que foi linda. 


E com isso, houve um ótimo paralelo entre a ciência e a religião, que, de certa maneira, caminhavam juntos e se complementavam. Outro ponto interessantíssimo e que gerou diversas reflexões para quem acompanhava, acreditando ou não em vida após a morte e reencarnação. 


Personagens carismáticos e grandes atuações

Considerada uma trama mais enxuta, ‘Escrito nas Estrelas’ contou com um elenco modesto e equilibrado entre veteranos da dramaturgia brasileira e jovens rostos que despontaram posteriormente. O bom entrosamento entre todos era algo positivamente perceptível. 

Destacam-se no quesito personagens carismáticos:


  • As vilãs cômicas Sofia (Zezé Polessa) e Beatriz (Débora Falabella), mãe e filha que tramavam para conseguir se dar bem na vida a qualquer custo, e que roubaram a cena por muitas vezes, proporcionando diversas gargalhadas ao telespectador. A parceria das duas foi um ponto alto da trama. 

  • A parceria entre Jandira Martini e Walderez de Barros como as irmãs Gilda e Genilda deu muito certo. As duas senhoras protagonizaram sequências hilárias nas quais contavam com um texto sempre muito ácido e inteligente. Sem dúvida, ótimas personagens cômicas. 

  • O carisma de Dani Fontan – atriz que foi figurinha repetida nas novelas de Jhin – no papel da empregada doméstica Berenice. Impossível não rir com a figura que a personagem foi na novela e o seu jeito errado de falar as coisas. 

  • Nica Bomfim como Magali. Mesmo pertencente a um núcleo paralelo que por muitas vezes foi dispensável, a dona de casa conquistou o público pelo carisma. Impossível não a reconhecer em alguém próximo, seja uma mãe, tia, avó ou vizinha, por exemplo. 


Destacam-se no quesito grandes atuações:


  • O bom desempenho de Gisele Fróes atuando como Jane. A personagem, uma mulher íntegra e independente, não era de ferro, e entregou cenas emocionantes e de tirar o fôlego devido à alta carga dramática. Foi uma ótima personagem de destaque para a atriz. 

  • Carolina Kasting no papel da dissimulada Judite. Coube a atriz mais uma vez interpretar uma personagem insuportável que atazanava a vida do ex-marido e praticava alienação parental com os filhos por não aceitar o fim do casamento com Guilherme (Marcelo Faria). 

  • O primeiro vilão de Alexandre Nero. O ator deitou e rolou na pele do mau-caráter que se mostrou odiável no decorrer da trama, e que teve um final tragicômico inesquecível ao ser comido por um tubarão. 

Balanço final

Mesmo com todos esses pontos positivos, ‘Escrito nas Estrelas’, como toda novela, apresentou os seus pontos negativos que não passaram despercebidos pelo público nesta reprise no Canal VIVA. Um deles, talvez o principal, o desenvolvimento tardio da história. 


A exemplo disso, cabe citar a revelação da verdadeira identidade e história de Viviane ocorrida à altura do capítulo 100. Ao atingir essa marca, a novela tomou mais fôlego até chegar em sua reta final bastante movimentada, mas em que a autora e a direção pecaram pela pressa.


Vilões sem punições, personagens sem função e os núcleos paralelos esquecidos no churrasco foram os principais pontos da história que ficaram a desejar, mesmo entendendo a estratégia de focar apenas na história central. No entanto, tudo isso ficou um pouco confuso, uma incógnita que nem o nosso imaginário pôde responder. Faltou esse cuidado. 


Por fim, o sentimento que fica é de saudade. ‘Escrito nas Estrelas’ é uma grande novela e merece muito mais reconhecimento. Pelo menos pelo público ela já possui, e após essa reprise, sem dúvidas será ainda mais prestigiada. 


É lamentável que a Globo tenha esquecido dessa novela durante esses 13 anos, e ainda mais se pensarmos no veto da direção da emissora para tramas com teor espírita meramente para agradar ao público evangélico. A novela é um ótimo título para reprise à tarde, seja em Edição Especial ou no próprio Vale a Pena Ver de Novo – merece, né? 


Para quem perdeu a reprise, agora é só aguardar a sua disponibilização no Globoplay que deve ocorrer em fevereiro de 2024, uma vez que o calendário de resgates de janeiro já foi fechado. 



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