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  • Foto do escritorGeovanne Solamini

‘Caras & Bocas’, a novela do macaco Chico, está de volta no Globoplay

A novela de Walcyr Carrasco entrou para o streaming com seus 232 capítulos em HD

Uma das novelas das 19h maior sucesso da TV Globo, e também da carreira de seu autor Walcyr Carrasco, “Caras & Bocas” foi disponibilizada na íntegra no Globoplay, 12 anos após sua estreia original, substituindo a versão exibida no “Vale a Pena Ver de Novo” em 2014, quando foi condensada em 138 capítulos.

Devido à grande pressão dos assinantes da plataforma nas redes sociais, várias novelas que já estavam disponíveis tiveram sua qualidade de imagem atualizada. Diante disso, foi divulgado um cronograma de reposição dos capítulos e produções para que essa demanda pudesse ser atendida. As novelas do “Vale a Pena” exibidas após 2012 também entram nessa jogada, onde foi prometido que as versões atuais sejam substituídas por sua versão integral.

Como explicar o sucesso dessa novela?

Depois dos muitos problemas enfrentados por sua estreia na faixa das 19h com “Sete Pecados”, em 2007, Carrasco acertava o tom em sua segunda tentativa, escrevendo sua melhor novela no horário, repetindo muitas de suas marcas registradas. Uma grande comédia, colorida, ágil e interessante, com toques certeiros de drama e vilania. Enfim, a cara do horário das 19h, mesmo com um texto didático e abordagens equivocadas. Ambientada em São Paulo, a novela contou com grandes nomes da nossa teledramaturgia, bordões que marcaram época, o macaco Chico e claro, a direção inspiradíssima de Jorge Fernando, que foi a cereja do bolo para o sucesso da novela. Tal sucesso fez com que a novela fosse esticada algumas vezes, durando 9 meses no ar, algo inimaginável hoje em dia. Na trama central estava o complicado romance de Dafne (Flávia Alessandra) e Gabriel (Malvino Salvador), vindos de classes sociais opostas e donos de personalidades conflitantes que tiveram seu romance na juventude, enquanto eram estudantes de arte, interrompido pelo avô de Dafne, Jacques (Ary Fontoura), que não aceitava o relacionamento da neta com um homem pobre. Desse amor, nasce Bianca (Isabelle Drummond), que ao completar 15 anos decide descobrir quem é seu pai e reuni-lo à Dafne – aqui, Carrasco flertava com dois grandes sucessos que escreveu às 18h: “O Cravo e a Rosa” (2000) e “Chocolate com Pimenta” (2003), cujos casais protagonistas tinham muitos pontos em comum com Dafne e Gabriel.

Mas sem dúvida, o grande destaque da novela, e o que fazia a história girar, foi a criativa história do macaco Chico, núcleo de grande apelo popular e infantil. Fugindo de um circo, ele aparece na casa de Denis (Marcos Pasquim), primo de Gabriel, um pintor sem talento que começa a explorar o macaco quando percebe sua habilidade para produzir pinturas abstratas, simplesmente jogando as tintas nas telas – um grande deboche do autor às irracionalidades do mercado da arte. Denis começa a vender as obras como se fossem suas, fazendo o impossível para acobertar sua farsa com a ajuda de seu filho Espeto (David Lucas).

Tamanha era agilidade do texto que o plot inicial já estava resolvido no primeiro mês de exibição, que Walcyr recorreu à velhas fórmulas pessoais: muitos desdobramentos, um elenco inchado e personagens novos surgindo a todo momento garantiam que a história continuasse movimentada. A grande vilã Judith (Deborah Evelyn) também foi responsável por muitas reviravoltas, com suas maldades e planos ambiciosos motivados pela inveja por Dafne. Temas sérios como a deficiência visual, o amor na terceira idade, o judaísmo e o câncer de mama foram abordados de maneira muito simplória, quase como panfletagem.

Os famosos bordões que marcaram a novela

Uma coisa é fato: ‘Caras & Bocas’ marcou época com vários bordões que são lembrados até hoje. Vamos relembrá-los!


“Fabiano, não me absorva”: Esse bordão era constantemente citado pela dona de casa Ivonete (Suzana Pires) para o seu marido Fabiano (Fábio Lago) durantes as divertidas brigas do casal e da família, principalmente com Adenor (Otaviano Costa) que é apresentado como irmão de Ivonete, mas que na verdade, era seu amante.


“É a treva”: Era assim que Bianca reagia a tudo aquilo que ia contra as suas ideias, ou quando seus muitos planos davam errado. De certa forma, remeteu à outra personagem de personalidade forte vivida por Isabelle Drummond, a Emília da segunda versão do “Sítio do Pica-Pau Amarelo”.


“Eu tô rosa chiclete!”: Cássio (Marco Pigossi) foi um divertido funcionário da galeria de arte de Dafne que, mesmo em uma representação LGBT já considerada datada em 2009, nos renderam muitos momentos engraçados, especialmente quando o personagem estava na companhia de Léa (Maria Zilda).


“E eu sou fraca?”: Na metade da novela surgia Lili (Maria Clara Gueiros), ex-mulher de Denis e mãe de Espeto que os abandonou no passado e reaparece, interessada na fama repentina de Denis. Ela acaba se acomodando e se apegando à Chico, rendendo momentos hilários.

Por fim, “Caras e Bocas” é considerada uma das melhores novelas das 19h da década de 2000, alavancando os índices de audiência na época – índice que despencou com a novela seguinte no horário, “Tempos Modernos”. Foi mais uma parceria maravilhosa entre Walcyr Carrasco e Jorge Fernando, uma vez que o diretor conseguia muito bem entender o conceito e o texto de Carrasco, nos rendendo cenas que marcaram a teledramaturgia. A quem tiver fôlego, esta novela é o escapismo perfeito para ser apreciada quando precisamos de emoção e de muitas gargalhadas fáceis, ou seja, ideal para ser assistida em 2021.

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