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  • Foto do escritorGeovanne Solamini

Verdades Secretas 2: a mesma história com uma nova estética

Segunda temporada da novela estreia com 10 capítulos que mostram que apenas a estética mudou. De resto, continua a mesma.



Nesta quinta-feira (20), o Globoplay liberou os dez primeiros capítulos da tão esperada segunda temporada de “Verdades Secretas”, a primeira novela original e exclusiva não apenas do streaming da TV Globo, mas também de todos as plataformas de streaming do Brasil, tornando a Globo, mais uma vez, numa pioneira. Atualmente, a primeira temporada (vencedora do Emmy Internacional de Melhor Novela em 2015) está sendo reexibida na TV aberta, e comparar as duas temporadas causa um certo estranhamento.


O autor Walcyr Carrasco retoma sua parceria com Amora Mautner, diretora artística de sua última novela, “A Dona do Pedaço” (2019). Ela, por sua vez, substitui Mauro Mendonça Filho, que além da primeira temporada de “Verdades”, também dirigiu “O Outro Lado do Paraíso” (2017). E aí já sabemos, mudou-se tudo e uma nova estética foi adotada. Apesar de terem algumas similaridades em seus estilos, a visão dos dois diretores é muito diferente. Uma fotografia soturna, sofisticada e neon foi adotada e está presente até na cenografia, inclusive em cenários inusitados como hospital, padaria e o berço do filho de Angel. Alguns efeitos especiais cansam pela tamanha repetição, por exemplo as transições de cena, que emulam o movimento de um drone, passando de um prédio para o outro, dando a impressão de que em São Paulo as pessoas vivem enclausuradas em seus apartamentos – seria justamente esse um conceito? Ainda sim vale ressaltar que a novela foi e ainda está sendo produzida durante a pandemia deo covid-19, o que pode justificar a falta de gravações em locações externas e o excesso do uso de chroma key. Mesmo assim, a direção é boa e conseguiu dar uma nova cara para a temporada, ainda que perdendo um pouco do luxo da direção cinematográfica de Mauro na primeira temporada. Ponto positivo!


Na primeira temporada, a então estreante Camila Queiroz deu um show com sua Angel, interpretando uma doce e inocente adolescente que se revela diabólica ao final. Em seu retorno, a personagem continua de onde parou, se tornando, digamos, a grande vilã da história. Viúva, falida, com ares de ”recatada e do lar”, ela retorna ao trabalho como modelo, ou melhor, ao infame book rosa, para pagar o tratamento médico de seu filho, portador de leucemia, mas tem dificuldades para se readaptar a esse mundo. De um lado, ela é odiada por Giovanna (Agatha Moreira), que quer provar o envolvimento dela na morte de seu pai, Alex (Rodrigo Lombardi), e também pela família de Gui (Gabriel Leone), que a culpa pela morte dele. De outro, desperta o desejo de alguns dos novos personagens que surgem na história, como o investigador de polícia Cristiano (Rômulo Estrela) e o fetichista Percy (Gabriel Braga Nunes).


Com um elenco enxuto, a nova temporada traz de volta poucos nomes do elenco original. Além de Camila e Agatha, Rainer Cadete também volta como Visky, grande destaque cômico da primeira temporada. Além de Rômulo e Gabriel, algumas adições ao elenco são Sérgio Guizé, Deborah Evelyn, Érika Januza (nomes já conhecidos de outras novelas de Walcyr) e Zezé Polessa. No núcleo da agência de modelos, encontramos muitos rostos novos e desconhecidos, boa parte deles estreantes. Um desses rostos faz sua estreia nas novelas brasileiras, mas está bem longe de ser, de fato, uma estreante: a nova dona da agência, Blanche, é vivida pela ilustre Maria de Medeiros, premiada atriz portuguesa, figura já conhecida do nosso cinema. Maria é muito lembrada pela sua participação no filme “Pulp Fiction: Tempo de Violência” (1994) – quem mais pode dizer que tem um filme de Quentin Tarantino e uma novela de Walcyr Carrasco no currículo?


Quando se trata de roteiro, nenhuma surpresa. Walcyr carrega os seus vícios característicos: seus textos diretos, didáticos e repetitivos, cheios de furos, o que chega a incomodar. Mas apesar das críticas, é impossível desmerecer o seu talento e sua trajetória na teledramaturgia como um dos autores de novela mais populares, que sabe prender a atenção do público como ninguém. A falta de história muitas vezes é preenchida com cenas de sexo, que nessa temporada voltam bem mais explícitas e impressionando por seu realismo, prato cheio pra quem assumidamente só assiste pra ver os atores nus – até os beijos são mais quentes, ui! Em resumo, é um bom produto, mas não é inovador dramaturgicamente falando como foi a sua primeira temporada, lá em 2015, quando ares conservadores tomavam conta da TV e ela realmente quebrou o tabu. Agora, o erotismo é gratuito e banalizado apenas para excitar o espectador.


Com cinquenta capítulos no total, os eles serão liberados quinzenalmente, em levas de dez capítulos cada, nos dias 3 de novembro, 17 de novembro, 1º de dezembro e 15 de dezembro. Vamos aguardar para ver o que vem aí. Tem potencial!

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