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  • Foto do escritorGeovanne Solamini

A história através da teledramaturgia: obras que abordaram a Ditadura Militar

Ao longo dos anos, cinco produções retrataram o período da história do Brasil na TV aberta

Marília Gabriela em Senhora do Destino
Imagem: Reprodução/Globo

A data de hoje é lembrada pelo início de um dos piores e mais sombrios períodos históricos que o Brasil já passou: a Ditadura Militar. Instaurada a partir de um golpe militar que depôs o então presidente da república João Goulart, em 31 de maio de 1964, ficou marcada na história. 


Os 21 anos (1964 – 1985) de sua duração são lembrados até hoje pela ausência da democracia, autoritarismos nas mais variadas vertentes e gravidades e, claro, as censuras às artes, que também atingiram a televisão e as telenovelas da época. 


Assim como outros períodos históricos, a Ditadura Militar também foi retratada pela teledramaturgia brasileira em novelas e minisséries, como ‘Anos Rebeldes’ (1992), a primeira obra que trouxe esse tema à televisão. 


E não foi apenas ela. Relembre neste texto outras tramas que falaram sobre o tema e curiosidades sobre as mesmas.


Anos Rebeldes (1992)

Foi Gilberto Braga (1945 – 2021) quem trouxe pela primeira vez o tema à televisão brasileira com a minissérie ‘Anos Rebeldes’, em 1992. A história conta o romance dos estudantes Maria Lúcia (Malu Mader) e João Alfredo (Cássio Gabus Mendes), dois jovens que se apaixonam mesmo com ideologias políticas opostos. 


Ambientada entre 1964 e 1979, a minissérie tem como pano de fundo o ingresso de muitos estudantes na luta armada e, por isso, emocionou o público com cenas marcantes, como a da morte de Heloísa (Cláudia Abreu).


A jovem, que também ingressa no movimento, é morta por policiais por supostamente estar armada em uma sequência realista inesquecível e que entrou para a história da teledramaturgia brasileira. 


Disponível no Globoplay


Senhora do Destino (2004)

Carolina Dieckmann em cena de Senhora do Destino
Imagem: Reprodução/Globo

Na trama de Aguinaldo Silva, a Ditadura Militar é abordada logo nos primeiros capítulos, e ao longo da primeira fase ambientada em 1968, ano em que foi marcado pelo início dos anos de chumbo no Brasil. 

Foi neste ano em que o Ato Institucional Número Cinco, o AI-5 foi decretado e o país parecia viver em uma guerra. É nesse cenário que Maria do Carmo (Carolina Dieckmann) chega com seus cinco filhos ao Rio de Janeiro, no dia 13 de dezembro, exatamente no dia do decreto.  

Em paralelo ao núcleo central, existe o jornal O Diário de Notícias, comandando pela renomada jornalista Josefa de Medeiros Duarte Pinto (Marília Gabriela), e por seu braço direito, Dirceu de Castro (Gabriel Braga Nunes). 

Ambos corajosos, resistem à repressão até onde podem. Josefa, pressionada pelos militares, se exila em Paris, enquanto no Brasil, Dirceu acaba se tornando um preso político. 

Mesmo sem mostrar violências explícitas, as sequências que representavam a ditadura foram muito bem feitas e pareciam reais. Davam medo, angústia e revolta, e que pessoas comuns, a população em geral, sofreu com tudo isso – como por exemplo a própria protagonista presa por ser confundida como uma "militante comunista". 

Disponível no Globoplay


Queridos Amigos (2008)

Personagens protagonistas da minissérie Queridos Amigos
Imagem: Memória Globo

Quatro anos depois, o tema voltou às telinhas através da minissérie escrita por Maria Adelaide Amaral, inspirada na sua obra ‘Aos Meus Amigos’, ambientada em 1989, período conhecido como pós-redemocratização e narra o reencontro de um grupo de doze amigos que lutaram contra a ditadura na década de 1970, em São Paulo. 

A obra, em seus 25 capítulos, possui algumas cenas de flashback onde os personagens principais voltam do exílio, além de dramas do passado envolvendo suas prisões e repressões sofridas debatidos no decorrer da história. 

No entanto, sem dúvidas, a história mais marcante é a de Bia (Denise Fraga). A personagem, por acaso, reencontra o homem que a torturou e estuprou no DOI-CODI – local para onde eram levados os presos políticos da época. 

Devido à Lei da Anistia, a astróloga não teve chances de denunciar as atrocidades que sofreu, mas sua mãe, Dona Iraci (Fernanda Montenegro) nunca se conformou com os traumas da sua filha, acaba o enfrentando em uma cena emocionante. 

Disponível no Globoplay


Amor e Revolução (2011)

Engana-se quem acha que só a Globo ousou em produzir uma novela ambientada na Ditadura Militar Brasileira. Em uma das últimas novelas adultas do SBT, foi produzida e exibida ‘Amor e Revolução' (2011), escrita por Tiago Santiago. 

A trama contava a história de amor entre Maria Paixão (Graziella Schmitt), uma líder do movimento estudantil, e José Guerra (Cláudio Lins), um capitão do exército que não concordava com a ditadura. 

Não é exagero dizer que talvez tenha sido a novela mais ousada que a emissora de Silvio Santos tenha produzido. Afinal, ainda que com ressalvas, ela abordou com maior profundidade a realidade da época em questão. 

Além de ter uma boa premissa, um elenco com grandes nomes, ‘Amor e Revolução’ ainda mostrou o primeiro beijo entre duas mulheres na televisão, protagonizado por Marcela (Luciana Vendramini) e Marina (Giselle Tigre). 

Disponível gratuitamente no SBT Vídeos.


Os Dias Eram Assim (2017)

Renato Góes e Sophie Charlotte em Os Dias Eram Assim
Imagem: Divulgação/Globo

De volta à Globo, Angela Chaves e Alessandra Poggi escreveram a supersérie (antiga novela das 23h) ‘Os Dias Eram Assim’, em 2017. A trama apresentou um recorte das décadas de 1970 e 1980 – os mais duros da Ditadura Militar Brasileira. 

Além de abordarem os dramas e dificuldades daquela época, a história ainda abordou temas relevantes como a AIDS e a homossexualidade, dois grandes tabus da sociedade na época. 

Protagonizada por Renato Góes e Sophie Charlotte, ‘Os Dias Eram Assim’ constatou muito bem a realidade da fase de autoritarismo no país e que ela impactou a vida de muitas pessoas, até mesmo de quem não tinha nada a ver. 

Assim como em outros períodos históricos brasileiros, a Ditadura Militar merece ser sempre lembrada na ficção, não como homenagem, mas sim como forma de retratação histórica e conscientização. Obras como essas, mesmo mediante as críticas, merecem ser assistidas.

Disponível no Globoplay


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